Procurador nega participação do governo em acordo de dívida da Cerb com Odebrecht

O procurador-geral do Estado Paulo Moreno negou que o governo estadual tenha tido qualquer ingerência no acordo para a resolução do litígio judicial da Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento da Bahia (Cerb) com a Odebrecht, em 2014. Em entrevista ao Bahia Notícias, Moreno ressaltou que foi a própria Cerb quem operou todo o ajuste com a Odebrecht. “É uma questão que não houve nenhuma ação direta do próprio Estado ou da administração direta, mas sim de uma empresa que tem sua autonomia e pelo que se sabe, à época, teria sido um acordo favorável, uma vez que tinha uma confissão da dívida de anos atrás”,  destacou, acrescentando que o débito de R$ 390 milhões é referente a uma gestão “bem anterior ao [governo] presente e ao imediatamente passado”. Assim, Moreno nega o depoimento do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho. Segundo o executivo, o acordo foi fechado entre a empresa e o governo da Bahia, tendo o atual governador, Rui Costa (PT), sido designado como coordenador do processo por parte do Estado (saiba mais aqui). Naquele ano, Rui era secretário da Casa Civil do então governador Jaques Wagner (PT). Essa delação serviu de embasamento para o pedido de abertura de inquérito, remetido ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), contra Wagner, hoje secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia. No relato, Melo Filho delatou que Wagner demandou o repasse de cerca de R$ 30 milhões para campanhas do PT por um período de oito anos. Ainda naquele ano, Rui seria anunciado como candidato da legenda ao Palácio de Ondina. “Pelo que se sabe havia uma confissão de dívida, aí já não cabia mais nenhum tipo de recurso e obviamente que isso não pode ser atribuído a um governador A, B ou C. A Cerb é uma empresa que tem uma governança própria, tem seus conselhos de administração, fiscal e cada órgão tem sua responsabilidade”, pontuou. O próprio Wagner, todavia, confirmou, nesta quinta (20), que houve um acordo entre a Odebrecht e a Cerb com aval do governo estadual, comandado por ele em 2014 (lembre aqui). "A dívida era de R$ 1,4 bilhão. Acabamos fazendo um acordo para pagar R$ 290 milhões em 100 parcelas, em oito anos. Eu só fiz beneficiar. Se acham que foi um mau negócio, aí eu não sei”, afirmou o ex-governador. Para além dos discursos divergentes entre Moreno e Wagner, o entendimento do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sugere a investigação do caso, embora o governador Rui Costa não seja alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) ou de uma instância inferior.